O show é realizado em clima de confraternização. Uma verdadeira festa. A mesa
posta nos remete a uma ceia natalina. Nela misturam-se bananas verdadeiras com
instrumentos de percussão e vinho, que serão compartilhados com o público no
decorrer do show. A irreverência e bom humor interrompe o ar de pompa e
formalidade que no início se esboça e não há como ficar indiferente. A música é
o fio condutor, porém o teatro está presente o tempo todo através das letras das
músicas, pausas e diálogos com o público. A interatividade é ponto fundamental,
sendo que há momentos em que a platéia é chamada a participar diretamente do
show, como em "Ponta de Areia" (Nascimento e Brant) onde espectadores são
convidados para subirem ao palco. Diversos outros momentos que não devem ser
revelados para não estragar a surpresa complementam este trabalho com o público.
Os temas das músicas são os mais variados, tanto nas composições do grupo quanto
nas interpretações. Em "Rubens" (Premê) a questão do homossexualismo e AIDS são
tratados de forma bastante direta, sem ser agressivo, pelo contrário, fazendo-se
rir de uma situação bastante comum. Em "Palhaço" (Jara Carvalho e Déo Piti ) o
grupo faz uma brincadeira com os músicos "estrelas", que brilham mais do que
encantam. A linguagem usada é bastante diferente, cujos sons silabados,
destituídos de sentido, bastante comuns na Bossa Nova (aliás, trata-se de uma
bossa) são poeticamente misturados a palavras e frases de sentido certo como em:
"...balgundem, dalgundem, acham que dá algum dom, abram alas pro rei." O
repertório resgata ainda músicas de compositores da velha guarda como "Tipo
Zero" (Noel Rosa). Traz da vanguarda dos anos 60 "Que Loucura" (Sérgio Sampaio).
Da vanguarda dos anos 80: "Mente Mente" (Robinson Borba). A antológica melodia
da trilha sonora do Sítio do Pica-pau Amarelo: "Saci" (Dori Caymmi). Ainda do
próprio grupo cantam "Vera" (Jara Carvalho e Déo Piti), um romance futurista,
"Alice" (Jara e Déo), "O Balcão" (Jara Carvalho), dentre outras. O figurino foi
elaborado a partir de roupas recicladas, chegando-se a, por exemplo, uma saia de
gravatas, traje ideal para uma ceia natalina. O espetáculo pode ser apresentado
para qualquer tipo de público, nos mais variados tipos de
espaço.